Jun 1, 2024

O excesso de dado não trouxe mais clareza

Durante muito tempo, a promessa foi simples:
quanto mais dados tivéssemos, melhores seriam as decisões.

Na prática, aconteceu o oposto.

O aumento da capacidade de medir não veio acompanhado de um método melhor para decidir. Vieram dashboards mais completos, relatórios mais frequentes e métricas cada vez mais específicas mas não necessariamente mais úteis.

Medir passou a ser confundido com entender.

Hoje, muitas equipes sabem exatamente o que aconteceu, mas continuam sem clareza sobre o que fazer a seguir. A sensação é de controle, não de direção. O dado vira um registro do passado, quando deveria ser um apoio para escolher o próximo passo.

O problema não está em medir demais, mas em olhar para tudo com o mesmo peso.

Quando todas as métricas parecem igualmente importantes, nenhuma realmente orienta a decisão. O acúmulo de números cria ruído, não leitura. A atenção se dispersa entre variações pequenas, médias enganosas e comparações que não mudam o curso de nada.

Nesse cenário, decidir vira um ato de intuição travestido de análise.

É comum ver times reagindo a qualquer oscilação, testando tudo ao mesmo tempo ou tentando corrigir sintomas sem entender a causa. O dado existe, mas não organiza. Ele pressiona.

Mais clareza não vem de adicionar métricas.
Vem de saber o que ignorar.

Clareza nasce quando algumas poucas leituras são tratadas como estruturais, e o restante passa a ser contexto não gatilho de ação. Sem isso, o dado deixa de orientar e passa a disputar atenção.

Talvez o primeiro passo não seja medir melhor.
Seja olhar menos, com mais critério.

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